A busca por uma realização na vida monástica se dá por uma ação divina em nós, que nos desperta para as realidades eternas iniciadas já na vida de comunhão fraterna.

Posso discernir se minha intenção é segundo Deus se faço minha busca com espírito bom (bom zelo) e se esse movimento me dá liberdade interior; se tenho espírito de sacrifício e não me poupo ao esforço; se aceito as repreensões e dificuldades como sendo uma oportunidade de crescimento que Deus mesmo me oferece; se o Oficio Divino, a vida de oração, a lectio divina ocupam espaço primordial na minha utilização de tempo livre e comunitário. Se minha obediência acompanha meu coração (divisão) – a maior prova de minha entrega, do exercício de minha liberdade, da renúncia ao egoísmo e abertura ao amor que Deus me propõe viver. Se vibro diante do conteúdo e vivência monástica.

A candidata à vida monástica faz um acompanhamento com as formadoras para bem discernir e amadurecer seus propósitos. Pode passar alguns dias na hospedaria para uma convivência mais estreita e melhor experiência de oração litúrgica e pessoal. Sentindo-se chamada a esse estilo de vida monástica beneditina tem um período de experiência dentro da clausura, com as monjas. Somente depois, permanecendo seu propósito, inicia o postulado, que dura um ano. A etapa seguinte será o noviciado de dois anos. Depois a Profissão Trienal, emitindo os votos de obediência, estabilidade e conversão dos costumes. Por fim a Profissão Solene e Consagração Monástica.

Diz Thomas Merton que o monge está inextricavelmente envolvido nos sofrimentos e problemas da sociedade a que pertence. Toma parte na batalha, combatendo no "front" espiritual, no mistério, pelo sacrifício de si próprio e pela oração. Isso ele faz unido a Cristo crucificado, unido também a todos aqueles por quem Cristo morreu. Está consciente de que o combate não está dirigido contra a carne e o sangue, e sim "contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados nos ares" (Ef 6,12).

Neste mundo em perpétua mutação, permanece o monge como baluarte de uma Igreja que não muda, contra a qual as portas do inferno não podem prevalecer. É verdade que a própria Igreja se adapta, porque é ela um Corpo vivo, um organismo em constante crescimento. Onde há vida, tem de haver desenvolvimento. Na ordem monástica, também deverá manifestar-se adaptação, desenvolvimento, crescimento. A vocação do monge chama-o exclusivamente ao que é transcendente. Está e deverá sempre se manter acima das facções humanas. O monge tem de permanecer real, e só o poderá ser mantendo-se em contacto com a realidade. Mas, para ele, a realidade está encarnada na Criação, obra de Deus, na humanidade, suas dores, suas lutas e seus perigos. O monge, portanto, permanece neste mundo em caos, mundo de carne em que ele e sua Igreja proclamam incansavelmente a primazia do espírito, mas fazem-no dando testemunho da realidade da Encarnação do Verbo. Para o monge, como para todo cristão, "viver é o Cristo".

A comunidade monástica vive da caridade e para a caridade, uma caridade que mantém a "lumen Christi", a luz de Cristo ardendo na escuridão de um mundo incrédulo. O mosteiro é um Tabernáculo em que o Altíssimo habita entre os homens, santificando-os e unindo-os a Si em seu Espírito. A comunidade monástica se dedica incansavelmente a todas as obras de misericórdia, em especial, às obras espirituais de misericórdia. Aos olhos do mundo, o mosteiro se ergue como incompreensível sacramento da misericórdia de Deus para com os homens. Incompreensível; portanto, incompreendido. Que há nisso de surpreendente? O próprio monge não consegue avaliar plenamente sua vocação; ainda menos pode ele compreendê-la. Contudo, a misericórdia de Deus está nele. Se assim não fosse, ele nada seria. Isso é algo que o monge não pode ignorar, se é verdadeiramente monge.