O Mosteiro de Nossa Senhora das Graças foi fundado em Belo Horizonte, há mais de meio século, a pedido do então Senhor Arcebispo, D. Antônio dos Santos Cabral, apoiado pelo Clero Arquidiocesano e por inúmeras famílias mineiras.

Dom Cabral dirigiu seu pedido de uma fundação à ABADIA DE SANTA MARIA, em São Paulo, único Mosteiro de Monjas beneditinas no Brasil e o primeiro da América do Sul.

Celebrando esta história, louvamos nosso Deus pelas maravilhas que realizou desde o início do caminho.

1540 – Mosteiros supressos na Inglaterra, mas não se extinguiu o desejo ardente de corações em busca de Deus, na vida monástica. Os monges beneditinos ingleses, refugiados no norte da França, resolvem fundar uma “Casa das Filhas de São Bento, na cidade de Cambrai.

1625 – Inicia-se uma comunidade com nove delas. Por pouco mais de meio século, foi um tempo de paz, fraternidade, alegria. Aquelas Irmãs viveram profundamente a observância monástica no Mosteiro de Nossa Senhora do Conforto.

1793 – Rumores e tempestades, sofrimento, lágrimas... Todavia, Deus não abandona o rebanho escolhido. Explode a Revolução Francesa e a Comunidade de Cambrai é expulsa de seu mosteiro, tendo apenas 15 minutos para reunir algumas coisas. Viagem longa, em carroça; prisão, mortes.

1795.- 21 monjas sofridas, enfraquecidas deixam a prisão, são postas em liberdade e após dura e longa peregrinação...

1808 – Conseguem uma moradia emprestada, em Abbot’s Salford.

1923 – Uma alegria: voltam a usar o hábito monástico.

1838 – A comunidade vai tomar posse da Terra Prometida – Stanbrook.

Começa a reconstrução da comunidade monástica.

1863 – Recebem um “Vicarius monialium”, Don Laurence Shpherd, com a intervenção de Don Guéranger.

1869 – Assumem as Constituições de Solesmes, que entram em vigor.

1878 – 1886 – Problemas feriram a comunidade, envolvendo a Superiora, Me. Getrudes D’Arillac Dubois, que foi deposta e depois, por intervenção da Santa Sé, re-instalada.

1895 – O Mosteiro é elevado a Abadia. Madre Gertrudes recebe “vitalicidade” do cargo abacial.

1897 – Com a morte de Me. Gertrudes, Madre Cecília Agnes Heywood foi eleita Abadessa.

1907 – Ela acolheu o projeto de fundação no Brasil e abriu as portas de Stranbrook às jovens brasileiras que iniciariam a vida beneditina feminina no País. A negociação foi longa, mas feita com muita fé e responsabilidade.

Dia 11 de setembro de 1907, Madre Cecília fez oficialmente a comunicação à Comunidade, e no dia 14, festa da Santa Cruz, a primeira candidata brasileira, Ana Abiah da Silva Prado, paulista, entrou na Abadia de Sanbrook, onde recebeu o nome de Irmã Gertrudes. Outras a seguiram, e foram fazendo seu caminho de formação monástica, conhecendo e aprofundando o sentido e o espírito da Regra de São Bento.

1911 – Foram nomeadas as monjas que viriam ajudar por 5 anos o grupo das jovens brasileiras. Madre Domitilla Tolhurst foi nomeada a primeira Prioresa da Fundação. Partida emocionante e ao Procedamus in pace”, recebida a bênção, partiram. A bordo do “Aragon”, no convés, silenciosas, serenas, mas também sofridas, foram percebendo as terras inglesas sempre mais distantes.

Dia após dia, de porto em porto, iam chegando à terra de Santa Cruz.

No dia 15 de outubro, deste ano de 1911, Me. Domitilla entregou sua alma ao Pai, como Moisés, vendo ao longe a “Terra Prometida”. A cruz, realmente, pesou. Mas a Providência será sempre maior para suas filhas. Foram acolhidas e orientadas pelos monges do Rio de Janeiro, Filhos de São Bento, Irmãos de verdade, na alegria e na dor. Após os funerais, o Grupo retornou ao vapor e seguiu viagem para Santos. De lá, em viagem de trem, para São Paulo, ao Sanatório Santa Catarina, onde ficaram mais de um mês, até a bênção do novo Mosteiro, em 23 de novembro (1911).

A vida continuou ali, no Mosteiro de SANTA MARIA, que se tornou árvore frondosa, abrigando muitos pássaros em seus ramos.

Assumiu o cargo de Prioresa, Me. Gertrudes Ana Abiah Cecília da Silva Prado, ilustre por dotes de coração e inteligência. Em 1918, tornou-se a Abadessa da nova Abadia que, sob a sua direção, cresceu, realizando sua missão na Igreja como célula viva do organismo beneditino.

Grávida de valores humanos e divinos, começou a irradiá-los, através de novas Fundações.

A 10 de outubro de 1944, Madre Gertrudes faleceu, depois de fecundo abaciado. E foi substituída por Madre Rosa de Queiroz Ferreira, sua fidelíssima Prioresa: personalidade firme, generosa e dedicada, possuía grande vivacidade de espírito e de integridade moral. Seguiu de perto a orientação de Me. Gertrudes, quanto ao zelo pela formação das novas gerações.

Depois de um bom número de jovens mineiras ter entrado para a Abadia de Santa Maria, em São Paulo, Dom Antônio dos Santos Cabral, Arcebispo de Belo Horizonte – MG, em 1946, visitou essa Abadia pela 1ª.vez. E solicitou, de Madre Abadessa Rosa, a fundação de um Mosteiro de monjas beneditinas em sua Diocese. Este mesmo pedido acabava de ser feito por um casal de Belo Horizonte, Dr. Balbino Ribeiro e Silva e D.Maria José, que ofereciam os seus bens para esta Fundação, propondo-se trabalhar neste sentido.

  Foi o ano escolhido pelo, Senhor para o nascimento do novo Mosteiro, nas terras de Minas Gerais. Legalizada a existência civil da futura Abadia, foram preenchidas as formalidades canônicas.

Em 25 de maio, Madre Abadessa Rosa tomou a decisão - que só foi comunicada no dia 08 de agosto – de realizar a fundação de um Mosteiro em Belo Horizonte. Madre Abadessa pediu residência provisória para 12 monjas; Dom Cabral respondeu ter providenciado a casa com 17 cômodos, e deu início à desejada Fundação. Era 26 de agosto.

A 06 de setembro Madre Rosa tomou a iniciativa de comunicar à comunidade as decisões tomadas com Dom Cabral e Dom Plácido Staeb, a respeito da Fundação, tendo já providenciado residência e meios de subsistência até que a comunidade se organizasse.

No dia 08, à comunidade reunida, Me. Abadessa comunicou o nome das 12 monjas fundadoras do mosteiro de Belo Horizonte:

Da. Luzia Ribeiro de Oliveira, prioresa; Da. Regina Maria Pinheiro Bernardes;

Da. Águeda Resende Neves; Da. Cristina Penna de Andrade; Da. Suzana de Azevedo Silva; Da. Maria Teixeira de Lima; Da. Anastásia Campos Moreira; Da. Gabriela Ferreira de Brito; Da. Maria José Gontijo; Da. Emerenciana Rabelo Jardim; Da. Paulina de Carvalho Gomes; Da. Benita Oliveira Ribeiro Enout. Eram 7 de Belo Horizonte, 3 de Uberaba e 2 do Rio de Janeiro.

Regia a Igreja o papa Pio XII, que a 10 de outubro deu a bênção de ereção canônica da nova Fundação, recebida com suma alegria e gratidão em Santa Maria.

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Marcado o dia 12 de novembro para a saída das12 monjas escolhidas, em reunião na sala do capítulo, seguindo ritual monástico, a Rev.da Abadessa Me. Rosa de Queiroz Ferreira dirigiu à prioresa, Me. Luzia Ribeiro de Oliveira, as seguintes palavras: Caríssima filha, Madre Prioresa Da.Luzia Ribeiro, por disposição da divina Providência, tudo está preparado, permitindo que se realize a fundação do novo MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS em Belo Horizonte, sendo que o Mosteiro até que seja erigido em Abadia, é um priorado simples, e unido de pleno direito a nossa Abadia Paulistana. A ti, Rev.da Madre, pelo presente documento, confio seu governo, nas coisas temporais e espirituais, e a ti nomeio sua Prioresa “ad nulum”. Rogo que dirijas a casa, entregue a teus cuidados, com prudência, e a caridade recomendada pela Santa Regra e nossas Constituições, e que, humildemente, espero que possuas. A Deus, autor de todo bem, rogo com fervor que se digne conceder-te sempre as forças e luzes de sua graça, de modo que sempre floresça na nova casa o espírito de nosso Pai São Bento e de sua irmã, nossa mãe Escolástica.

Em seguida, entregou à Madre Prioresa, a Cruz da Fundação, a Santa Regra e o Saltério. As Fundadoras despediram-se das Irmãs, ao canto do Salmo 132 – “Eis como é bom e alegre os irmãos viverem juntos bem unidos”.

Em avião da FAB, saíram de São Paulo às 14 horas chegaram a Belo Horizonte às 11 h 30 min , com as bênçãos também de D. Arquiabade, Don Plácido Staeb.

Do aeroporto foram se apresentar ao Sr; Arcebispo, e depois almoçaram na residência do Casal Dr. Balbino e D.Maria José, idealizadores da Fundação e seus protetores, na terra e no céu.

Depois de conhecerem a cripta da futura catedral de BH, organizaram a procissão rumo ao “Mosteirinho”. Durante o percurso, cantaram os salmos graduais. À porta da casa (Rua dos Inconfidentes, nº 68), generosamente cedida à Fundação, uma das proprietárias, Dª. Sílvia Lanari Guatimosin, entregou as chaves ao Sr. Arcebispo. Em seguida, D.Arquiabade Plácido proclamou o decreto de ereção canônica do novo Mosteiro. Dom Cabral procedeu às bênçãos e deu-lhe como padroeira a Santíssima Virgem, sob o título de NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS. Seguiram-se as Vésperas do dia, oficiadas pelo Rev.mo. D. Arquiabade com assistência pontifical. Depois das bênçãos dos lugares regulares, o Sr. Arcebispo, entregando as chaves à Madre Prioresa, fechou a porta da clausura e in conspectu Domini, começou a Vida Monástica no Mosteiro de Nossa Senhora das Graças. Eram19 horas.

Uma grande luz foi projetada sobre as temerosas nuvens de um salto na fé. Uma luz que partindo com as monjas, de SANTA MARIA, veio iluminando pouco a pouco o belo horizonte das montanhas de Minas, com todas as cores de seu radioso esplendor: SECUNDUM VERBUM.

 O Mosteiro de Nossa Senhora das Graças exerce com carinho e esmero a milenar e sábia Regra de São Bento, escrita por ele no século VI. Esta norma de vida consagrada, expressão das primeiras comunidades cristãs, quer fazer do Mosteiro, inclusive sua comunidade, seus oblatos e amigos, um canal transmissor da sabedoria e da fé, da paz e da humildade praticadas e ensinadas por São Bento. Tudo isso, por um seguimento fiel do Divino Mestre, com quem as Beneditinas querem aprender e ensinar a prudência da serpente e a singela mansidão da pomba, na estabilidade e na obediência a Deus, à Igreja e aos Superiores.

No decorrer destes 62 anos, a comunidade se fortaleceu em seu objetivo e cresceu em número; realizou 3 fundações e prestou auxílio, enviando algumas irmãs, a dois outros Mosteiros que “N. Sra. das Graças” assumiu até que se tornaram autônomos.

A Comunidade, crescendo, já exultou de alegria na celebração dos 50 anos de sua fundação, e depois, dos 60 anos . Grandes acontecimentos teceram uma gloriosa história do Mosteiro, na medida em que ele se aprofundava na vivência de seu lema - Secundum Verbum. Devagar... como o grãozinho que o Semeador lança na terra: em condições ora mais, ora menos propícias. Como a semente que se deixa cultivar e também se deixa dilacerar: sob chuvas benfazejas, tempestades de granizo; raios e trovões. Mas sempre aliciada pela suave brisa que sai da boca do Senhor: Não temais! – sopro que por fim, tudo acalma.

Sua história acontece muito entrelaçada com duas outras: a da Igreja e a do mundo. A da Igreja, que refletia também a vida social do mundo. O que foi vivido, nestes anos, pode ser rememorado, seguindo as etapas de seis décadas, cada uma com o seu ritmo e crescimento próprio, as suas lutas e vitórias. É uma das mais belas histórias, que vem sendo contada, com mais detalhes e documentação, a todos os novos membros que aqui chegam.

  O período inicial se caracterizou, obviamente, por um clima, ao mesmo tempo, de dificuldades costumeiras para a adaptação, e – Deus seja louvado! – pelo entusiasmo de um grupo jovem de almas viventes no Espírito e no Amor de Cristo, dispostas ao sacrifício em busca do ideal.

O que se fez neste período foi tudo que se pode imaginar necessário, a partir de uma pedra fundamental da casa, até a “maioridade” obtida na elevação do Mosteiro em Abadia, 1953, e a Bênção de sua primeira Abadessa, Madre Luzia Ribeiro de Oliveira.

Nessa década, 20 jovens se entregaram a Deus e 8 receberam a consagração das virgens; as outras aguardavam seu momento.

Ocorreram no Brasil e no mundo, portanto, atingiram também este Mosteiro, fatos importantes como: a revolução cubana, com a vitória do comunismo marxista e a repercussão na juventude do Brasil; muitas pessoas procuraram refúgio e orientação no Mosteiro.

Os anos 50 foram heróicos na consolidação dos alicerces da Vida monástica, lançados pelas Fundadoras em 1949.

 O Mosteiro se une em ação de graças à Abadia-mãe, “Santa Maria” de São Paulo, pelos 50 anos de sua existência abençoada e fecunda: “Obrigado” ao Pai por esse dom da Congregação Beneditina ao Brasil!

A pedido de Madre Abadessa Luzia, a Santa Sé concedeu a unificação das Irmãs Externas, com sua admissão aos votos solenes e Consagração das virgens.

Elas passaram também a morar na clausura e outro pedido foi deferido para que algumas Irmãs pudessem atender ao serviço de rua e da portaria.

Em 1961 o Mosteiro ganhou cinco sinos, de doadores anônimos. A consagração deles e do sino conventual ocorreu em julho de 1961.

Trabalhos notáveis se completaram nessa década: a casa do Capelão, o aumento do número de celas para permitir o ingresso de novas candidatas.

O grande acontecimento eclesial desse período foi a expectativa e início do Concílio Vaticano II, o que incentivou aprofundamento teológico da Comunidade. E o seu enriquecimento na participação ativa dos estudos, especialmente quando veio à luz a Constituição sobre a Sagrada Liturgia.

Curioso também é que passamos a recitar o Ofício em português, graças ao “Diurnal” elaborado pelos monges do Mosteiro de Santa Maria de Serra Clara, com hinos poeticamente traduzidos por D.Marcos Barbosa.

Foi nessa época também que, participando de iniciativas da Igreja do Brasil, Madre Luzia iniciou os “Encontros das Contemplativas”, movimento chamado, ‘CENINF’ que se transformou no atual PROFOCO.

E foi quando se fez a primeira fundação: “Nossa Senhora do Monte”, Olinda.

Veio também o pedido de Dom Alexandre para assumir Uberaba: Mosteiro de Nossa Senhora da Glória.

Originaram-se outros Encontros de aggiornamento: para as Superioras, para Irmãs de outros Mosteiros, de outras Ordens e Congregações etc. Até o fim dessa década, as reuniões e encontros se sucederam espantosamente, em geral promovidas pela CRB.

Em 1967 o Priorado Companhia da Virgem: atendendo o pedido de Dom Manuel Pedro da Cunha Cintra, Me. Luzia acolheu 15 membros daquela Comunidade, que foi também instituída primeiro em mosteiro dependente e depois em Abadia – Mosteiro da Virgem, de Petrópolis.

Faleceu Dom Cabral, deixando na Arquidiocese a plena realização do Mosteiro de seus sonhos.

 Os anos 70 viram frutificar as sementes lançadas pelo Vaticano II, que floresceram com exuberância, durante o pontificado de Paulo VI.  Esses anos foram marcados por um intenso fervor missionário e apostólico que atingiu todos os setores da Igreja. Todas essas situações repercutiram no Mosteiro. ”Agrada-nos ver que a oração contemplativa, longe de impedir a ação irradiante, pareça ser a fonte mesma de todas as atividades”, disse D.Basílio Penido, congratulando-se com a Comunidade pelos 20 anos de fundação.

Cinco monjas, a pedido do Senhor Arcebispo D.João Resende Costa, ingressam no curso de Teologia, ao lado de seminaristas e outros leigos, para manter o alto nível dos estudos.

A convite de D.Inácio Accioly, as monjas participavam dos retiros anuais de sua Comunidade, pregados por monges de renome que ele chamava do estrangeiro.

A Comunidade de N.Sra. das Graças empenhou-se a fundo no grande esforço de adaptação aos novos tempos, assumindo as riquezas das antigas tradições para realizar a renovação preconizada.

Neste período iniciou-se e progrediu o estudo das novas Constituições da Congregação Beneditina no Brasil, e se estudou a posição das Monjas em relação ao Capítulo Geral dos Monges.

Nasceu a CIMBRA, em cujos encontros marcavam sempre presença algumas monjas de Nossa Senhora das Graças.

Igualmente o EMLA (Encontros Monásticos Latino-Americanos), com o antigo nome de CONO SUR, a Conferência Monástica do México e Guatemala. “N.Sra. das Graças” secretariou a organização desses primeiros EMLAs. Alguns desses Encontros foram aqui.

Nessa década foram fundados também o Mosteiro de Maria Mãe do Cristo, em Caxambu e o Mosteiro de Cristo Salvador, em Salvador, na Bahia.

Acontecimento altamente significativo no ano de 1978 foi a comemoração do jubileu de prata do abaciado de Madre Abadessa Luzia Ribeiro de Oliveira.

No Ofício monástico, os 150 salmos do Saltério passaram a ser rezados em duas semanas, e foram introduzidos os momentos de silêncio entre os salmos.  Assim, como aliás em toda parte, esta foi uma época de grandes e pequenas modificações na Liturgia, inclusive maior preocupação com o canto.

Neste tempo de transformações, o Mosteiro de N.Sra. das Graças procurou ser presença no mundo, dando testemunho de fidelidade à Igreja. Foram anos fecundos, plenos de inquietação e de esperança, quando se fazia sentir forte o sopro do Espírito que renova a face da terra.

 A Igreja comemorava os 1500 anos da morte de São Bento. O Mosteiro primou pelo aprofundamento no estudo da vida e Regra do Santo Patriarca e sua repercussão no mundo. Organizou referentes apostilas com traduções de ótimos estudos, as quais foram também distribuídas em nível nacional e o trabalho foi muito apreciado.

Pela primeira vez, a Igreja do Brasil recebeu a visita de um Papa, João Paulo II e as religiosas foram fervorosamente incentivadas pela interferência do Mosteiro, o qual participou também enviando representantes.

Houve o primeiro Congresso Nacional de Oblatos, no Rio de janeiro e este Mosteiro participou mandando representantes do Grupo local, já numeroso.

Madre Luzia representou a América Latina no Primeiro Seminário de Abadessas, promovido em Roma pelo então Primaz, D Victor Darmetz .

Curso de Formadores na hospedaria de Emaús, no Mosteiro do R.de Janeiro. Foi quando veio ao Brasil Dom Adalbert de Vogüé, cujos escritos são ponto alto nos estudos das Monjas de N.Sra. das Graças.

Outra personagem também importante para esses estudos foi Ir. Aqüinata Bokmann que, ao longo dos anos 80, deu cursos de interpretação da Santa Regra para superiores, mestres, abades e abadessas.

Em âmbito nacional de CRB Me. Luzia participou da comissão de estudos sobre a Vida Religiosa.

No final de 1982, a 28 de dezembro, Madre Luzia renunciou ao ofício abacial, ficando a direção do Mosteiro a cargo de Ir.Cristiana Carvalho Leite, que conduziu a Comunidade na mesma linha, com tranquilidade e sabedoria.

Em março de l983, Madre Inês Cançado Bahia foi investida no ofício abacial.

Os anos oitenta foram marcados por muitas celebrações de 25 anos de profissão, votos solenes e consagrações, inclusive, três Oblatas regulares receberam a consagração das virgens, trazendo alegria à Comunidade.

Uma reforma na torre dos sinos permitiu que eles começassem sua função que estivera interditada por oscilação da torre. Foi motivo de júbilo e profunda ação de graças. Isso deu novo ânimo e Madre Inês começou a pensar, junto com todas, em terminar o Mosteiro, sobretudo, a igreja.

Representantes do Mosteiro participaram da reunião das Contemplativas – PRO-FOCO e outras do EMLA no México.

Continuaram os cursos de aprofundamento monástico, nos quais participaram Madre Abadessa Inês e outros membros da Comunidade. Entre os professores, lembramos D. Philippe Rouillard, do Santo Anselmo D.Andreas Estaldemann e D.Bukardo, de Maria Laach, que veio a Belo Horizonte e nos ajudou muito em vários pontos da liturgia do Mosteiro.

Nesses anos de 80 foi importante a consolidação das diretrizes litúrgicas em relação à Liturgia. Foram editados, ad experimentum, os livros das Horas monásticas que trouxeram novo estímulo paraa oração comunitária.

Nessa época também o Mosteiro colaborou com a elaboração do novo Ritual monástico para os Mosteiros femininos do Brasil.

A Obra Social – “Pavilhão” – recebe a colaboração de voluntários leigos, sob a orientação de uma das Irmãs

Uma pequena casa, São José, é cedida em ‘comodato’ a uma oblata, Ivone.

Em 1987 se deu continuidade às obras de acabamento do mosteiro, interrompidas em 1961. Foram concluídas: a portaria, sacristia, parlatórios e celas. Com uma visita do arquiteto Francisco Bologna, retomaram-se os trabalhos, e a igreja, que foi concluída e solenemente consagrada, em 1991.

O final desse decênio, com os acabamentos, trouxe à vida comunitária maior tranquilidade, ordem e benefícios valorizados como objeto de intensa ação de graças.

 Enquanto a Igreja se renova à luz da Constituição Apostólica Tertio Millenio Adveniente, de João Paulo II e incluindo-se no plano pastoral Construir a Esperança, do Cardeal Arcebispo da Igreja de BH, o Mosteiro de Nossa Sra. das Graças celebrou jubilosamente os 60 anos de sua fundação e tem tantos motivos para alegrar-se e agradecer.

Várias Irmãs completaram 60 anos de profissão monástica, um feixe de espigas em diamante entregue nas mãos do Pai de bondade.

Esses anos se encerraram com o cântico de júbilo, na espera do ano santo do grande jubileu do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Foram concluídas as obras do Mosteiro: as linhas puras e austeras do projeto inicial foram conservadas e o prédio adquiriu finalmente a sua feição definitiva.

O Mosteiro prossegue, sabendo que, no dizer de São Gregório de Nissa, vamos de começo em começo, por começos sem fim.

 O novo milênio foi marcado pela Bênção Abacial de Madre Estefânia Vieira, 3ª. Abadessa do Mosteiro de N.Sra. das Graças em julho de 2000, após a renúncia de Madre Abadessa Inês em 15 de junho, ao completar os 75 anos, deixando o Mosteiro no que parece ser o apogeu glorioso de sua história: casa completa, comunidade próspera em sua vida material e sobrenatural; uma “Casa de Deus” como foi sonhada e membros viventes no espírito de São Bento, na busca de Deus, caminhando na trilha da Fundadora, porque Cremos na caridade , e vivemos Secundum Verbum.

A vida monástica ia correndo normalmente: estudo e oração, trabalho e até passeios, retiros e cursos, entradas no postulado, Jubileus, viagens e encontros, Bênção abacial de Me. Maria Regina Silva, membro desta Comunidade, participação na CIMBRA e EMLA, incluindo a presença do Rvmo. Don Abade Primaz, Notker Wolf. O ponto alto do decênio foi a comemoração dos 60 anos, quando rememoramos com alegria, em prosa e em versos, toda esta abençoada história.

Neste decênio, quase todos os anos viram partir para a eternidade uma das monjas: Ir. Cristina (fundadora), Ir. Sabina (Oblata claustral), Ir. Maria Cecília Gontijo (fundadora), Madre Abadessa Luzia (2004), Ir. Anastásia, Ir.Maria Inês, Madre Joana Calmon, no Mosteiro de Salvador, Irmã Cristiana (2009). Compondo também essa ‘procissão’ nosso Beato João Paulo II (2005).

Embora deixando saudades, tantas falecidas iluminaram nossos corações com a suave presença da saudade, marcando uma década de esperança e de paz, pela certeza de que suas vidas confirmam em nós a confiança na infinita misericórdia do Pai. E, trilhando os caminhos que elas percorreram, não temos como não crer e não querer que a Palavra de Deus que as nutriu seja também nosso alimento de cada dia.

A partir de 27 de novembro de 2012 temos o novo governo abacial de Madre Abadessa Maria Letícia da Silva. Seu lema: Servire in læticia dará o novo rumo da entrega fiel dessa Comunidade que, com sua Abadessa, se dispõe a servir com alegria, no seguimento do Cristo que a todos congrega na unidade.

Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos

e deram contra esta casa...

mas ela não caiu,

porque está alicerçada na rocha que é Cristo.

(Cf. Mt 7, 25).

 Para que em tudo seja Deus glorificado