MONJAS BENEDITINAS

São Bento, Pai dos monges do Ocidente

 

A vida admirável de Bento de Núrcia foi escrita no ano 593 por um quase contemporâneo seu, o Papa São Gregório Magno: "Vida e Milagres de São Bento", que constituem o "Segundo Livro dos Diálogos", obra desse grande papa.

Bento abandonou seus estudos em Roma; na gruta de Subiaco abraçou o monaquismo em sua forma original, o eremitismo, que também abandonará optando pelo cenobitismo, ou seja, o monaquismo vivido em comunidade fraterna como fora iniciado no século IV por Pacômio e por Basílio.

Não mais podendo viver oculto em sua gruta por causa dos que em torno dele se reuniram, Bento fundou doze pequenos mosteiros e finalmente o grande de Monte Cassino. Foi aí que escreveu uma Regra, plena de sabedoria, na qual encontramos orientação para vivência do carisma beneditino que consiste:

  • Vida cenobítica sob uma Regra e um Abade (Abadessa)
  • Simples busca de Deus sem fins secundários
  • Eminentemente cristológico e litúrgico

 

Dois princípios notáveis pela sua quase identidade o confirmam:

Nada, absolutamente, antepor ao Cristo (Rb 72)

Nada antepor ao Ofício Divino (RB 43)

 

O Beato Papa João Paulo II, na VS, 23, afirmou: A contemporaneidade do Cristo com o homem de cada época realiza-se no seu Corpo que é a Igreja. E Cristo entra e permanece na Igreja em relação vital, por meio da Liturgia, tendo como centro a Eucaristia, sendo que a Liturgia das Horas a segue de perto.

É nesse quadro litúrgico que transcorre o dia dos monges e monjas beneditinos. Entretanto, tendo atravessado 16 seculos, a Regra de Bento é sempre atual porque essa vida beneditina inserida na Igreja caminhou sempre no seu ritmo, adaptando-se às necessidades de cada época e atualmente, ao Vaticano II. Os tempos mudaram, algumas observâncias mudaram, mas o essencial da Regra permanece:

  • Acima de tudo a busca de Deus.
  • O amor ao Cristo e à vida litúrgica.
  • A vida fraterna em comunidade.
  • O espírito eclesial.

 

No centro de tudo, refulge o Mistério Pascal, ou seja, a presença do Senhor Ressuscitado, em todos os afazeres da monja: nos hóspedes, nas doentes, na portaria, no atendimento aos pobres, nos trabalhos domésticos, artísticos ou culturais.

Desde modo, a vida beneditina cultivando uma vida in Deo Abscondita, aponta ao mundo Cristo, único caminho de salvação.

 

Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, Belo Horizonte, 2012