Exmo. Sr. Arcebispo Dom Walmor Oliveira de Azevedo preside a Celebração Eucarística na solenidade de Nosso Pai São Bento.

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São Bento - Homem que caminha na fé

 

A fome devastava toda a região

e grande escassez de gêneros angustiava a todos.

Já faltava trigo no mosteiro de Bento:

quase todos os pães haviam sido consumidos,

não se achavam mais que cinco pães para os irmãos à hora de comer.

 

Comer, necessidade básica do ser vivo, também foi atendida por Jesus, ao fornecer cinco pães e dois peixes multiplicados em muitos de modo que até sobrasse para toda a multidão.

A necessidade imediata parece nos desafiar na fé, roubando nossa tenção, interesse e tranquilidade. Não somente os monges, mas toda a região padecia do mesmo mal. O Mosteiro participa da vida do povo, suas penas e alegrias.

 

Vendo-os contristados, o venerável Pai procurou corrigir a sua fraqueza, e reanimá-los com uma promessa:

“Por que se entristece o vosso espírito pela falta de pão?

Hoje há muito pouco, mas amanhã o terão em abundância.”

 

São Bento, acostumado aos longos jejuns desde o início de sua vida solitária, podia suportar a escassez daquele momento,

mas os Irmãos estavam sendo consumidos... não só pela fome, mas também pela tristeza.

São Bento que não propõe nada de áspero ou pesado (Prólogo 43) procura afastar o peso da tristeza de quem segue seus passos:

Que Deus não se entristeça por causa de nossas más ações (Prol)

Não entristeça nem despreze suas irmãs (RB 31)

Que ninguém se perturbe ou se entristeça na casa de Deus (RB 31)

Quem precisar de menos dê graças a Deus e não se entristeça por isso (RB 34)

Que as enfermas não entristeçam as que lhes servem (RB36)

Se precisarem trabalhar não se entristeçam por isso (RB 48)

Não se entristeça a Irmã que, recebendo um presente, o entrega à abadessa, para não dar ocasião ao diabo (RB 54)

Mais valem os sacrifícios aceitos que os prazeres involuntários (Gregório de Nazianzo)

 

São Bento deseja antes, que vivam na alegria e na ação de graças:

Que a Abadessa se alegre com o aumento da boa grei (RB2)

Deus ama quem da com alegria (RB 5)

Esperando na retribuição divina, prosseguem alegres dizendo: superamos tudo por causa daquele que nos amou (RB 7)

Cada uma ofereça a Deus, na alegria do Espirito Santo, algo além da medida e na alegria do desejo espiritual, espere a Santa Páscoa (RB 49)

A tristeza estava presença por causa da falta de confiança na providência de Deus. Mas São Bento crê na eficácia da Palavra de Deus, sabe que quem a medida não é confundido. Ele tem o sentimento constante da presença divina e busca incessantemente a Face do Senhor. A busca de Deus constitui o cerne da sua natureza; uma espécie de movimento espontâneo, poderoso e calmo, impulsiona-o incessantemente para o seu Criador, porque a luz da contemplação interior dilata o íntimo da alma.

 

No dia seguinte, encontraram duzentas medidas de farinha em sacos

diante da porta do mosteiro, e ninguém soube por quem Deus todo-poderoso os mandou levar.

Vendo isto, os irmãos deram graças ao Senhor,

e aprenderam a não duvidar da abundância,

mesmo em tempo de carência.”

 

Muitos dos milagres de São Bento têm o intuito de restituir a paz e a alegria àqueles que o rodeiam. Para a santificação dos seus monges ele não se apoia sobre sua Regra, as observâncias ou as forças humanas, mas se apoia sobre Deus somente. Ele leva em consideração os limites e as fraquezas dos fortes e as debilidades dos fracos. Pela vida e virtude ele sabe que quem confia no Senhor é como o Monte de Sião. Nada o pode abalar porque é firme para sempre. Já havia recomendado para nunca desesperar da misericórdia de Deus (Rb4) e mostra com os atos como Deus recobre de graças aos que nele esperam.

São Bento espera que a monja cumpra com o espírito em paz, o ofício que lhe foi confiado (RB 31)

Que todas estejam em paz (RB 34)

E esta paz não deve ser simulada (RB 4), mas real

Se perdê-la, deve retomá-la antes do por-do-sol (RB 4)

E a Abadessa organiza o Mosteiro de modo a que nele seja defendida a paz e a caridade.

A confiança de São Bento na providência de Deus lembra a do pai amoroso que aguardava cada dia que o filho pródigo reencontrasse o caminho de Deus dentro de si e dessa forma deixasse de passar fome, voltando à intimidade da vida paterna.

Volte pelo labor da obediência àquele de quem se afastou pela desídia da desobediência (Prólogo). Assim novamente se sentirá em casa.

A ação de graças, tarefa da monja e de cada cristão, vem do amor recebido de Deus e conduz à inteira disponibilidade ao Espírito, tornando a pessoa dócil às mínimas inspirações e influência do Senhor que a tudo renova. Com confiança nos convida São Bento a nunca desesperar da misericórdia de Deus, na fortaleza da fé, caminhado sob o olhar complacente de Deus, na paz que dele brota, sob o véu suave de um coração agradecido e confiante.